Individuação

Individuação: um degrau na caminhada do despertar

Tempo de leitura: 22 min

Este é um material parte integrante de uma série de textos que estou escrevendo sobre o despertar. Porém, diferentemente das abordagens superficiais e até ingênuas encontradas em maioria sobre esse tema, a minha proposta é abordar o tema do despertar de maneira objetiva, madura e fundamentada. A falta de uma discussão profunda sobre esse tema gera uma desinformação generalizada, e tem levado muitas pessoas no processo de despertar a se enganarem e tomarem rumos que acabam desviando–as do caminho ou atrasando seu processo pessoal de se abrir a essa nova realidade.

O processo do despertar, como o próprio nome diz, é um processo, ou seja, uma jornada a ser percorrida, um conjunto de atitudes a ser tomada, de mudanças a serem realizadas, uma sequência de transformações internas a serem manifestadas. Não existem um prazo determinado para isso tudo acontecer e a duração do processo depende da dedicação e do processo individual. E para isso tudo tomar seu devido lugar, é preciso de espaço, ou seja, é preciso que a pessoa se permita essas mudanças e permita que o plano espiritual a guie no que for necessário nesse processo.

Porém, o que tenho observado é o oposto. O padrão de comportamento que tenho observado é o da pessoas receber o chamado para despertar, então automaticamente se considerar desperta, como se o chamado e o estado desperto fossem sinônimos, e então, na ausência de uma orientação adequada, tomar decisões irracionais e inconscientes nas situações da vida, seja pessoal ou profissional, na esperança de, magicamente, criar uma “nova vida” mais adequada ao novo estado “desperto”. Somados a isso, a pessoa passa a freneticamente consumir conteúdos “espirituais” online, principalmente de redes sociais, muitas vezes de profundidade e compromisso espiritual duvidosos, saturando o mental na ilusão de que esse é o processo e que essa é a fonte de informação mais adequada neste momento. E este comportamento não tenho observado apenas em um ou outro, é um comportamento generalizado, observado na maioria das pessoas que chegam a mim.

O processo do despertar é muito profundo e muito pessoal para ser tratado de maneira tão irresponsável e com soluções tão banais, ready–made. O caráter de profundidade e de pessoalidade do processo do despertar já sinaliza qual o movimento que temos que fazer: para dentro. Essa máxima pode parecer ultrapassada de tanto que já foi repetida, porém, se as pessoas tivessem compreendido que o caminho é para dentro e não há outra opção, eu não precisaria estar aqui escrevendo esse material. Correto? Trigueirinho nos lembra que “O despertar dá–se, portanto, de dentro para fora, não de fora para dentro” (1).

A jornada do eremita

Ao leitor peço atenção à expressão: de dentro para fora. Essa expressão sugere um movimento, movimento este que se inicia dentro, porém, no momento certo, se manifesta no fora. Digo isto porque o fato do processo do despertar começar dentro não significa que temos que nos fechar numa “bolha espiritual” e romper com o resto do mundo. Esta consciência é importante pois muitos, ao receberem o chamado do despertar, acham que precisam necessariamente se separar, abandonar família e filhos, pedir demissão do trabalho, enfim, abandonar tudo que julgam “mundano” e acabam tomando decisões precipitadas que depois se arrependem. Compreenda, o processo de transformação se inicia dentro, porém, num certo momento ele precisará se manifestar fora também, pois o mundo precisará receber a manifestação desse novo ser, desperto. É um processo oposto à jornada do herói. A jornada do herói acontece de fora para dentro, ou seja, a personagem, a pessoa, vai para fora (fora de si, fora de seu núcleo familiar, cultural etc.) na busca pela transformação e, depois da transformação, volta ao ponto inicial (2). O processo do despertar é o inverso. Primeiro a pessoa é levada para dentro, para permitir, testemunhar, acolher e realizar as transformações necessárias e, depois, ela volta–se para fora, transformada. Se ao primeiro processo foi dado o nome de ‘jornada do herói’, ao segundo processo eu daria o nome de ‘jornada do eremita’.

O movimento que tanto a jornada do herói quanto a jornada do eremita representam nada mais é do que a manifestação do pulsar cósmico da vida. Esse pulso cósmico é o constante movimento de expansão e contração. Na expansão, a energia vital espalha–se pelo Universo com anseio em abraçar o todo; na contração, a energia vital se contrai na mônada, numa contração consciente e poderosa que gera o indivíduo. São processos dinâmicos que podem ser compreendidos como estágios transacionais no fluxo de energia e a estagnação em qualquer uma dessas ações significa morte (3), não uma morte física, mas uma morte para a o movimento da vida.

Essa sístole e diástole cósmica gera um movimento muito importante aqui na nossa realidade, que é o movimento dentro–fora. Esse movimento consiste na dinâmica entre o processo contínuo de relação e adaptação ao meio e o processo de adaptação às condições do mundo interior; o primeiro é um movimento da energia vital no sentido de satisfazer continuamente as demandas das condições ambientais e só pode ser atingido pela ação, pela atitude; o segundo é um movimento da energia vital no sentido de movimentar os processos psíquicos que não estão preocupados com a adaptação externa. Esse jogo dentro–fora faz parte do movimento da vida e, como colocou o próprio Jung (3), o fracasso na relação com o fora leva a pessoa a um estado de meditação enfadonha, enquanto que o fracasso na relação com o dentro, o interior, leva a uma vida de desperdícios e não aproveitamento das oportunidades. Ter a consciência da existência desse movimento vital é de suma importância para quem está no processo de despertar, para não cair nas duas armadilhas que citei anteriormente: se voltar unicamente ao externo, buscando respostas fora e, por consequência, acessando materiais de qualidade duvidosa, envolver–se em egrégoras não adequadas e atrasando o próprio processo; e se voltar unicamente ao interior, na ilusão de que romper com o mundo é a solução. A não consciência desse movimento vital dentro–fora também pode levar a um comportamento de fuga pela espiritualidade, que discuti no texto “Spiritual bypassing e a queda das ilusões”.

…o homem só pode atender às demandas da necessidade externa de maneira ideal apenas se também estiver adaptado ao seu próprio mundo interno, isto é, se estiver em harmonia consigo mesmo. Do mesmo modo, consegue somente se adaptar ao seu mundo interno e alcançar harmonia consigo mesmo quando está adaptado às condições do meio. — G. G. Jung em “Estrutura e dinâmicas da psique” (3)

Portanto é fundamental compreender o significado da frase “o despertar dá–se de dentro para fora”. O movimento para fora também possui sua importância pois é nesse momento que a nova consciência adquirida passa a interagir com o mundo a volta, tornando–se assim um disseminador dessa nova energia. Esse segundo passo, para fora, relaciona–se com a responsabilidade planetária do despertar. E como esse passo se dará é uma questão pessoal, de cada um, porém o que posso dizer é que esse passo precisa ser conduzido de maneira muito responsável e madura para que os erros e enganos generalizados não sejam repetidos.

O nascimento de uma nova psique

O processo do despertar envolve transformações energéticas, psíquicas, emocionais, mentais, sociais e até físicas. Não é linear e todo o contexto do indivíduo é inundado por essa energia de transformação. Neste texto vou abordar um dos aspectos de transformação da psique no processo de despertar. A transformação da psique é necessária no processo do despertar para que a pessoa amadureça mentalmente, emocionalmente e espiritualmente, e também para que ela seja capaz de acessar e assimilar corretamente as novas informações que chegarão.

A psique é a porção fenomenológica infinitamente complexa da nossa constituição e consiste dos conteúdos do consciente e do inconsciente. Numa breve explanação, o conteúdo consciente é experienciado diretamente e possui sete categorias de experiência: 1. Percepção (são as percepções sensoriais; nos diz que algo “é”), 2. Recognição/apercepção (processo mental de comparação e diferenciação com ajuda da memória, onde a pessoa dá sentido a uma ideia assimilando–a ao corpo de ideias—repertório—que ela possui; é o “pensar” e nos diz “o que é”), 3. Avaliação (processo onde o objeto percebido desperta reações emocionais de natureza agradável e desagradável; é o “sentir”), 4. Intuitivo (processo independente da percepção, da recognição e da avaliação e trata–se da percepção das possibilidades inerentes numa situação), 5. Volitivo (processo da vontade; são impulsos dirigidos baseados na percepção), 6. Instintual (impulsos originários no insconsciente ou diretamente no corpo caracterizados por compulsividade e falta de liberdade) e 7. Sonhos (conteúdo do consciente que traz material que antes estava inconsciente).  Por outro lado, o conteúdo inconsciente divide–se em inconsciente pessoal (conteúdos da psique que se tornou inconsciente pela perda de força e foi esquecido ou porque ele foi reprimido—retirada de consciência; também consiste dos conteúdos que nunca tiveram intensidade suficiente para atingir a consciência porém de alguma forma entraram na psique) e inconsciente coletivo (conteúdo comum a todos humanos, trata–se de uma psique atemporal universal da herança ancestral de possibilidades de representação). (3)

E a psique apresenta uma característica, um imperativo psicológico inato, que busca aumentar a consciência. É um movimento inato da psique na direção de ampliar e desenvolver a consciência, conhecido como individuação (4). Diferentemente do que o nome sugere, o processo de individuação não é a formação da identidade ou afirmação do indivíduo, como conhecemos socialmente. Individuação é um movimento natural de transformação da psique, muito rico em simbologia e em transformações internas, em direção da ampliação da consciência. No sistema Aura–Soma (5), o frasco Equilibrium que lida com esse processo é o B9—‘Heart within the heart’ (Coração dentro do coração). O B9 fala do início da jornada, nossa jornada interior, onde nos é oferecida a possibilidade de encararmos nossa sombra e de ver nosso mundo interior de uma nova maneira. E parte dessa jornada envolve integrar diferentes aspectos do nosso eu, o que requer que assimilemos esses padrões de condicionamentos cristalizados de nossa personalidade que foram influenciados ao longo de nossa jornada pelo mundo exterior (valores sociais e culturais transmitidos por professores, amigos, família, figuras de autoridade ou modelos a serem seguidos). O centro de energia localizado no lado direito do peito, chamado Ananda Khanda, é o responsável por iniciar em nós o processo de individuação.

O despertar é a dissolução da vibração individual para dar lugar a uma consciência cósmica (1) e, portanto, uma transformação integral, incluindo da psique, é necessária.

O princípio da individuação

A individuação é um processo inato da psique disparado pelo chakra Ananda Khanda e envolve lançar luz à escuridão da vida psicológica e integrar as diversas polaridades e tensões ali encontradas para alcançar o crescimento e desenvolvimento da psique. Na condição de uma força dinâmica, a individuação refere–se à tendência inata do ser vivo encarnar plenamente a fim de se tornar ele mesmo no mundo empírico do tempo e espaço e, no caso dos humanos, tomar a consciência do que e de quem são (4). É por isso que entendo a individuação como uma etapa no processo do despertar espiritual e é importante que as pessoas que estão nesse processo do despertar espiritual saibam da existência dessa etapa, pois a individuação, para acontecer plenamente, precisa da completa participação da pessoa consciente a fim de que o processo se realize integralmente.

Segundo Murrey Stein (4), o processo de individuação “busca mover a consciência do ego para fora e além de seus hábitos e traços pessoais estabelecidos e suas atitudes ligadas à cultura (ou seja, caráter e “personalidade”) para um horizonte muito mais amplo de autocompreensão e plenitude, um que é impessoal e toca no que é freqüentemente referido como anima mundi”. Ou seja, o processo de individuação reestrutura a psique para que possamos, nesta estrutura corporal e psíquica em que estamos, nos relacionar com nós mesmos e com o cosmos de maneira mais ampla, completa e profunda. É um processo dinâmico que empurra a consciência e a auto–realização para além de onde os processos normais de desenvolvimento governados por genes, psique e sociedade terminam e cujo objetivo final é a consciência e integração dos níveis somáticos, psicológicos e espirituais do ser em níveis individuais e coletivos. E, se bem sucedido, nos liberta da armadilha da repetição sem fim de padrões que nos tem condicionado.

A individuação tem um movimento duplo cujas partes atuam simultaneamente. Um movimento eu chamo de DESIDENTIFICAÇÃO e o outro eu chamo de ATUALIZAÇÃO & INTEGRAÇÃO.

O movimento de desidentificação, referenciado na alquimia como separatio, é o aspecto analítico da individuação e consiste no desmembramento das identidades forjadas a partir de figuras e conteúdos com base primária na realidade fora da psique (outras pessoas, cultura, religião e outros impositivos sociais) e aqueles aterrados na própria psique (figuras internas). O primeiro movimento trata–se de diferenciar a consciência da pessoa da identidade social criada pela persona. Persona é um termo que identifica a porção da psique construída a partir dos pedaços da coletividade que o ego se identifica e possui a função de facilitar a adaptação ao mundo social ao redor. A persona é uma estrutura psicológica que interfaceia com o coletivo social do mundo, um segmento da psique coletiva que imita a individualidade e sua existência pode ser um inimigo sutil da individuação se não for reconhecida como uma ‘máscara’ (4). Esse movimento é importante para nos desidentificarmos dos aspectos de nossa identidade que são meros mecanismos de adaptação social, para podermos então ser capazes de entrar em contato com nossa individualidade. Já o segundo movimento trata–se de diferenciar a consciência individual das imagens oferecidas pelo inconsciente pessoal, as imagens arquetípicas e fantasias que emergem do inconsciente pessoal e convidam a identificações grandiosas como compensação pelo que foi perdido com a análise (desidentificação) da persona.

Separatio, o aspecto analítico da individuação, é o movimento de purificar a psique de suas identificações inconscientes. E como resultado, haverá muito menos projeção e distorção no consciente, e objetos serão vistos mais claramente e relacionados pelo que realmente são. Podemos compreender aqui como a remoção de um dos véus da ilusão, permitindo assim uma relação ‘Eu para Você’ mais íntima e genuína.

O movimento de atualização & integração, referenciado na alquimia como coniunctio, é o aspecto sintético da individuação e consiste na integração dos conteúdos da consciente e inconsciente, que acontece basicamente através de um diálogo interno (ou, nas palavras de Jung, através da imaginação ativa (3)). Neste movimento, novos conteúdos surgem do inconsciente individual para o consciente, emergindo assim novas maneiras de ver e se relacionar com o mundo, mais pessoais e individuais. E esses novos conteúdos precisam ser assimilados e integrados e, para que isso aconteça, é necessário que o ego renuncie o controle sobre os conteúdos do consciente em favor de um processo que não está completamente sob seu gerenciamento. Esse ato de entregar o controle a um processo irracional é o próximo grande passo no caminho da individuação e a consolidação da união dos conteúdos do consciente e inconsciente permite a pessoa ser capaz de se tornar ela mesma de uma maneira mais ampla e mais complexa que anteriormente.

Aqui eu descrevi brevemente os dois movimentos da individuação, o analítico e o sintético, que são movimentos simultâneos e que afirmam a qualidade não linear do processo de individuação.

Fases da individuação

Aqui gostaria de abordar as etapas da individuação baseado nos relatos de um jovem cientista descrito por Jung em “Psicologia e alquimia” (6). As etapas listadas a seguir são resultado da minha interpretação da leitura e estudo da obra citada e o leitor poderá encontrar por aí outras interpretações ligeiramente diferentes desta. De qualquer forma, o importante é saber da existência desses marcos e compreender a sua importância. O meu objetivo com esse texto é apresentar ao leitor o processo de individuação como parte do caminho do despertar espiritual e fornecer material teórico suficiente para o leitor seja capaz de reconhecer esse processo na sua vida para que esse importante movimento da psique se realize integralmente.

(1) Nigredo
Esta primeira etapa é a mais conhecida de todos que estão no processo do despertar espiritual. Ela caracteriza–se por um estado de melancolia, que nada mais é que o encontro, o estar cara a cara, com sua sombra. Muitas pessoas relatam que iniciaram sua jornada de auto–conhecimento a partir desse movimento, que podemos dizer até que é um chamado.

(2) Se desconectar do “Pai”
Aqui já estamos falando do processo de desidentificação, representado simbolicamente pelo ato de se ‘desconectar do pai’. O “pai”, aqui, não é o pai biológico, mas sim a personificação do espírito tradicional como o expressado nas religiões ou em uma filosofia de vida geral com seus valores, representa o tradicional mundo masculino com seu intelectualismo e racionalismo e tudo mais relacionado com adequações e identificações sociais que possuímos.

(3) Solificatio / Illuminatio
Esta fase é a iluminação do inconsciente, que acontece no movimento sintético descrito acima. Como mencionei anteriormente, os movimentos analítico (se desconectar do ‘pai’) e sintético (solificatio) ocorrem simultaneamente, portanto entenda como uma iteração de ambos movimentos e não um processo linear cartesiano.

(4) Psychopomp
Neste momento surge o Guia Espiritual (do Grego, psychopomp), que nada mais é que o próprio inconsciente após sua iluminação. O inconsciente iluminado se torna aquele que mostra o caminho. E o caminho começa na “terra das crianças”.

(5) Retorno à “terra das crianças”
Este é o momento de voltar–se à criança interior para poder então retomar o estado onde se recebe orientação do inconsciente, como antes na infância. O retorno ao mundo da infância é necessário pois é o momento de curar os traumas, integrar o que ainda não foi integrado, a fim de que possa ser restaurada a conexão com as orientações do inconsciente. Simbolicamente, o retorno à infância é o ‘retorno ao pai e mãe’ e esta é uma etapa necessária para que posteriormente seja possível permitir a integração consciente—inconsciente.

(6) Jornada com “pai e mãe”
Este é o momento em que os conteúdos infantis / da infância que ainda não foram integrados são trazidos à consciência para que sejam curados e integrados.

(7) O sétimo
Depois de ter passado pelos seis movimentos anteriores e ter permitido que eles se manifestassem integralmente, é alcançado este alto grau de iluminação da psique.

(8) Acordo / Integração
Fase final do processo de individuação, onde se instala uma nova fase do processo inconsciente: a mente consciente deve agora entrar num acordo com o inconsciente, com a sombra, com a personalidade mana (estado de grandiosidade oriundo da identificação com fantasias e imagens arquetípicas oriundos do inconsciente pessoal) e os símbolos do self.

Palavras finais

O meu objetivo com esse texto é trazer para conhecimento do leitor o processo de individuação e seu papel no jornada do despertar espiritual. O que tenho observado muito são pessoas recebendo o chamado para despertar e se perdendo no processo, muitas vezes por uma falta de conhecimento e fundamentação sobre esse processo e também envolvidos pela quantidade de bobagens que vem sido difundidas sobre o despertar espiritual nas redes sociais. No geral, o cenário do despertar espiritual tem sido o seguinte: a pessoa recebe o chamado para o despertar, entra em contato com a sombra pessoal, entra no processo de melancolia e busca se desconectar e anular sua realidade e tudo que considera ’não–espiritual’. Ou seja, no geral, as pessoas entram no estado de Nigredo descrito acima e, numa má interpretação da fase 2 (que é o processo de desidentificação e dissolução da identidade construída ao longo da vida através da identificação do ego) acabam agindo para anularem e negaram a sua realidade, ficando presas num tipo de ‘limbo espiritual’, oscilando entre as fases 1 e 2, sem progredir e concluir o processo. Não são poucas as pessoas que, no chamado do despertar, ao chegaram na fase 2 querem até abandonar os próprios filhos. Gostaria de deixar claro que o que precisa ser trabalhado internamente nessa fase é a desidentificação com os aspectos externos já comentados anteriormente, e desta forma, poder então “estar no mundo sem ser do mundo”.

O despertar trata–se de um processo de dissolução da vibração individual para dar lugar a uma consciência cósmica, daí ser crucial esse movimento de desidentificação para que o despertar se manifeste integralmente. 

Aqui dei um panorama do processo de individuação para que o leitor seja capaz de identificar se esse movimento já foi iniciado na sua psique e, caso sim, em que momento que está. O importante de ter o conhecimento desse processo é permitir que ele possa se manifestar integralmente pois, como todo movimento da psique, ele pode ser bloqueado ou reprimido. Cabe ao leitor decidir se passará por essa experiência sozinho ou se buscará ajuda profissional, porém, ao tomar essa decisão, escolha o caminho que permita o processo se manifestar até sua realização final.

___
REFERÊNCIAS

1. Trigueirinho Netto J. Aos que despertam [Internet]. Carmo da Cachoeira, MG: Irdin; 2020. Disponível em: https://www.irdin.org.br/site/produtos/aos-que-despertam-2/
2. Campbell J, Moyers BD, Flowers BS. A saga do herói. In: O poder do mito. 28º ed São Paulo: Palas Athena; 2011.
3. Jung CG, Adler G, Hull RFC. Structure and dynamics of the psyche. 2º ed. Princeton: Princeton University Press; 1970. (The collected works of C.G. Jung; vol. 08).
4. Stein M. The principle of individuation: toward the development of human consciousness. Wilmette, Ill: Chiron Publications; 2006. 230 p. (Polarities of the psyche). 
5. Booth M, McKnight C. The Aura–Soma sourcebook: color therapy for the soul. Rochester, Vt: Healing Arts Press; 2006. 295 p.
6. Jung CG, Hull RFC. Psychology and alchemy. 2º ed. Princeton: Princeton University Press; 1968. (The collected works of C.G. Jung; vol. 12). 

Créditos da imagem de capa: kazuend.

Este artigo possui direitos autorais, porém, pode ser reproduzido em qualquer meio contanto que seja oferecido gratuitamente, não seja alterado e que os créditos sejam adequadamente atribuídos a este site. Para isto, mencionar o nome (‘Casa Amarylis’) e endereço deste site (‘http://www.casaamarylis.com.br’). Em caso de dúvidas, consulte os Termos de uso.

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.

De volta ao topo