Soltar as bagagens

Tempos de soltar as bagagens

Tempo de leitura: 11 min

Este artigo é a reprodução de um texto meu publicado na Revista EQULIBR·se edição #06 Luz, disponível em https://equlibrse.com.br/luz/. Aqui, falo da importância do processo desidentificação para podermos acessar as novas energias planetárias, bem como novos patamares energéticos de nós mesmos. Desejo ao leitor uma ótima leitura.


Me coloco a escrever. Na condição de organizadora desta Revista, não contribuo com artigos, para não me sobrecarregar de tarefas. A organização da Revista por si só já é bastante atarefadora. Porém abro uma excessão e aqui escrevo.

Àqueles que não estão familiarizados com meu texto, vou dar aqui uma breve explanação do meu estilo textual. Tenho forte conexão com o estilo de produção textual acadêmico. Apesar de não escrever tão tecnicamente como um texto acadêmico, a minha construção de pensamento, assim como a de um texto acadêmico, sempre acontece a partir de muita pesquisa e referências de outros autores. Não é um pensamento isolado em si. Gosto de fazer essa ponte e trazer outros materiais que sustentam a ideia que desejo transmitir pois, além de enriquecer o texto, o leitor ganha mais uma lista de referências para ler, caso tenha o desejo de aprofundar ou expandir o tema discutido. Portanto, caro leitor, não estranhe a quantidade de referências citadas ao longo desta comunicação.

Falar de luz atualmente não é fácil. Um conceito, sempre que se populariza, acaba diluindo sua essência conceitual para dar lugar a uma compreensão coletiva. Perde–se em verticalidade para ganhar–se em horizontalidade. Porém, quando chega nesse ponto, torna–se muito fácil abordar tal conceito de maneira rasa e então ficar patinando nessa superfície na ilusão de que já está acessando integralmente a ideia por trás de tal conceito.

Estamos numa realidade planetária que possui uma peculiaridade: a desconexão. Ao estarmos aqui experienciamos a falta de uma conexão plena com o cosmos, ou seja, a experiência nesta realidade em que estamos é construída a partir dos fragmentos de informações que acessamos, vindo de nossa alma, do cosmos ou os produzidos por aqui mesmo. E esse contexto nos leva a dois padrões de comportamento. Primeiro, nos apegamos fortemente a tudo que nos identificamos e a tudo que apresenta um mínimo de ressonância com nosso interior. A necessidade de reconexão, um sentimento que temos enquanto estamos aqui, nos leva a nos apegarmos em tudo que sentimos que representa um fragmento de nós, como se estivéssemos catando peças de um quebra–cabeça de nós mesmos. Mesmo a mais superficial das informações serve de peça nessa tentativa de reconstruirmos aqui o que somos lá fora. Por segundo, toda essa identificação gera um estranhamento para o novo, e acabamos nos fechando para oportunidades de contato com novas energias e, por consequência, para novas oportunidades de crescimento.

Nas palavras de Trigueirinho:

“Muitas vezes um novo ensinamento é mais bem acolhido e aproveitado pelos que externamente nada sabiam a respeito; os indivíduos ditos conhecedores, se não estiverem abertos à transformação, resistem ao que é inesperado e inusitado, porque percebem nele uma ameaça aos padrões já conseguidos.”

Trigueirinho em «A Trajetória do fogo: uma introdução a Leis Eternas» (1)

Nesses novos tempos, nessa nova oportunidade de crescimento que está sendo oferecida a cada alma na superfície deste planeta, em terra ou não, estaremos nos aproximando cada vez mais de energias que traduzem o conceito de Luz. Porém, para que possamos perceber essa sutileza e para que possamos estar abertos a tais transformações, precisamos antes compreender os padrões de apegos e identificação que ainda temos, gerados por essa nossa necessidade de reconstruirmos aqui, nesta experiência finita, nossa identidade infinita.

LIBERTANDO–SE DE PADRÕES DE APRISIONAMENTO

O apego gera em nós estruturas chamadas hologramas. Um holograma é uma estrutura energética n–dimensional, com altíssima capacidade de armazenamento de informação e contém todas as informações de um dado objeto (que pode ser um objeto propriamente dito, uma situação/história bem como uma estrutura como a de um universo) armazenadas em si de maneira distribuída, ou seja, toda informação que constitui um holograma está presente em cada parte do próprio holograma (2, 3). Daí é que nasce o conceito espiritual de que “o Todo está na parte e a parte está no Todo”. Esta é uma maneira didática de explicar a natureza holográfica deste Universo. Quando um holograma é criado por nossa mente de maneira inconsciente (por exemplo, através do apego e da identificação), ele acaba se tornando um padrão de aprisionamento. Uma das razões que algumas meditações, principalmente as budistas, libertam é porque elas trabalham, entre outras coisas, a desidentificação e a dissolução de hologramas de aprisionamento. Essa técnica foi, por milhares de anos, o método mais completo para nos libertarmos das ilusões (os hologramas são um tipo de ilusão criados por nós mesmos a partir da nossa identificação com algo) porém hoje em dia há outras ferramentas, mais rápidas e eficazes para a limpeza de hologramas, inclusive que possuem sustentação de Hierarquias como o Comando Estelar e a dos Orixás. Para conhecimento do leitor, listo algumas situações que podem gerar hologramas de aprisionamento: experiências de doença e sofrimento, sentimentos de medo, raiva, ódio, vingança, crenças em alma gêmea e reencarnação, por exemplo.

Para falarmos de Luz é importante que façamos o exercício da desidentificação. De nada adianta este processo de transição planetária se estamos presos a velhos padrões, conceitos e dogmas, pois esse aprisionamento nos impede de acessarmos as novas energias, muitas delas já disponíveis aqui. Mas o exercício aqui não é somente a desidentificação com os conceitos de Luz que temos. Para acessarmos tudo que a Luz tem a nos oferecer, precisamos resolver nossa identificação com papeis sociais (sou mãe, sou pai, sou filho, sou esposa, sou médico etc.), com nacionalidades (sou brasileiro, sou europeu, sou indiano, sou israelense etc.), com categorias de perfis (sou tipo 4 do eneagrama, sou do signo de peixes, sou empata etc.), com doenças (sou cardíaco, sou depressivo, sou alérgico etc.), com perfis étnicos (sou branco, sou negro etc.), com sistemas de crenças e datas comemorativas, com dramas pessoais/familiares/coletivos, com experiências de alegria ou de dor, entre outras identificações que criamos por aí. É necessário que todas essas identificações sejam dissolvidas para darmos espaço para a manifestação da Luz em nossas vidas.

A nossa alma está numa jornada de experiências, portanto todas essas qualidades são ilusórias e passageiras. Essas qualidades tem seu papel numa dada experiência da alma e assim que a experiência termina, esses papeis todos perdem a utilidade, compreende? Assim, coloco aqui uma sugestão de exercício para o leitor: substituir a expressão “eu sou” (eu sou alérgico, eu sou do signo de peixes, eu sou médico) pela expressão “eu estou” (eu estou alérgico, eu estou do signo de peixes, eu estou médico). Consegue perceber a sutileza da mudança? Esta é uma maneira de começar a trabalhar internamente a desidentificação.

Nós somos apenas consciência, ou seja, um neutrino modulado para ser alma/espírito. E um neutrino na condição de alma não possui gênero, preferências, condições sociais etc. Porém este neutrino modulado está acoplado a um corpo físico, que está inserido num contexto familiar, social e planetário que necessita do desenvolvimento de uma identidade, para que a experiência então aconteça. Mas essa identidade é passageira e útil apenas durante a experiência. Daí a importância de compreendermos que ‘estamos’ e não ‘somos’ nesse processo experiencial, pois muitos filhos já se perderam nesse processo de identificação. Em essência somos um neutrino modulado tendo as diversas experiências de alma.

Esse processo de desidentificação tem seu lugar nas Leis Cósmicas e sua Lei chama–se Lei do Desapego (1). Essa Lei fala da necessidade de nos desligar–mos do que já alcançamos para podermos seguir nessa trilha de constante crescimento como almas. E por que isso tem tanta importância neste momento? Estamos num momento planetário único, onde uma nova chance de trilhar novos caminhos surge. Nesta nova energia, o planeta abre–se para a possibilidade de receber novos ensinamentos, novos conceitos, que nos levam a trilhar um autêntico caminho de Luz. Porém para que possamos aproveitar essas energias, o exercício da desidentificação é necessário.

ABRINDO–SE PARA A LUZ

Luz é um termo utilizado para designar estados de expressão pura da energia–consciência. É o elemento essencial e primordial presente na essência de todas partículas criadas. Ou seja, todas as partículas são dotadas de pura expressão da energia–consciência. E esta Luz, quando encontra espaço para manifestar–se, conduz as criaturas ao seu verdadeiro destino (4). Daí a importância de exercitarmos a desidentificação e a não–identificação, pois esse é o primeiro passo para darmos abertura para a manifestação da Luz, ou seja, para que sejamos guiados pela pura expressão da energia–consciência e para que sejamos conduzidos ao nosso verdadeiro destino.

Falar de Luz é falar de leis cósmicas pouco reveladas. É falar do contato com a alma, que só pode acontecer quando estamos num estado de neutralidade, livres de identificações e dos hologramas por elas gerados, e centrados unicamente em nossa realidade interna. Este é o encontro com o estado de harmonia. Neste processo é que conseguimos nos identificar com a Luz que somos, com a Luz que vive em nós, pois essa Luz emana da essência que nos leva de volta à Fonte (5).

“Para que possais cruzar o sagrado Portal é preciso, antes, largar vossa bagagem.”

Trigueirinho em «Paz interna em tempos críticos» (6)

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REFERÊNCIAS

1. Trigueirinho Netto J. A Trajetória do fogo: uma introdução a Leis Eternas [Internet]. Carmo da Cachoeira: Irdin; 2021. 246 p. Disponível em: https://www.irdin.org.br/site/produtos/a-trajetoria-do-fogo-uma-introducao-a-leis-eternas-2/
2. Talbot M. The holographic universe. 1º ed. New York, NY: HarperPerennial; 1992. 338 p.
3. Laszlo E. Science and the Akashic field: an integral theory of everything. Rochester, Vt: Inner Traditions; 2004. 205 p.
4. Trigueirinho Netto J. Glossário esotérico: uma obra dedicada aos novos tempos [Internet]. 6º ed. São Paulo: Pensamento; Disponível em: https://www.irdin.org.br/site/produtos/glossario-esoterico/
5. Trigueirinho Netto J. A luz dentro de Ti [Internet]. 14º ed. São Paulo: Pensamento–Cultrix; 2011. Disponível em: https://www.irdin.org.br/site/produtos/a-luz-dentro-de-ti-2/
6. Trigueirinho Netto J. Paz interna em tempos críticos [Internet]. Carmo da Cachoeira: Irdin; 2020. 118 p. Disponível em: https://www.irdin.org.br/site/produtos/paz-interna-em-tempos-criticos-2/

Créditos da imagem de capa: Evgeni Tcherkasski.

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